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VIAJAR COM DIABETES

Viajar quando se é diagnosticado com Diabetes significa que há alguns aspetos a ter em conta antes de partir. No entanto, a diabetes não tem de ser uma barreira para se ir de férias.

Vamos então falar-lhe de 8 aspetos a ter em conta quando se viaja.

1. Atualizações Covid-19.

O Coronavírus trouxe grandes mudanças na forma como vivemos, incluindo quando e para onde viajamos. Viajar com diabetes pode parecer avassalador, mas há muitos lugares onde se pode ir em busca de ajuda e conselhos. Por exemplo, o website TravelHealthPro informa sobre as últimas orientações relativamente à saúde em viagem.

Para além da sua lista habitual do que deve levar consigo, deverá, ainda, verificar e seguir a orientação atual do local onde vive, bem como do local para onde viaja. Por exemplo, em alguns países, precisará ainda de usar máscara no voo e no aeroporto.

Informe-se sobre quaisquer restrições de entrada, rastreio ou requisitos de quarentena para o país para onde viaja. É uma boa ideia descobrir onde fica também a embaixada portuguesa no local do país para onde vai viajar, no caso de precisar de ajuda numa emergência.

2. Seguro de Viagem / Cartão Europeu de Seguro de Doença

Se é Diabético/a, o seguro de viagem é importante, especialmente um seguro que cubra integralmente os seus cuidados de saúde. Assim, deverá verificar se o seu fornecedor de seguros cobre condições médicas pré-existentes como a diabetes, porque muitos não o fazem.
É, ainda, realmente importante que pergunte se eles cobrem o coronavírus no caso de precisar de tratamento enquanto estiver fora.

Se for viajar para um dos 27 Estados-Membros da União Europeia ou ainda Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça e Reino Unido deve solicitar o Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) pois permite a uma pessoa segurada ou abrangida por um regime de proteção social obter junto dos prestadores de cuidados públicos a assistência médica de que o seu estado de saúde necessitar durante a sua estada temporária em qualquer dos Estados referidos.

3. Lista do que colocar na mala de viagem

  • Máscaras ou coberturas faciais – podem ser descartáveis ou reutilizáveis.
  • Desinfetante de Mãos – 100ml para bagagem de mão.
  • Material para diabetes, identificação e medicamentos – guarde-os na sua bagagem de mão se estiver a voar, juntamente com uma carta do seu médico, para o caso da sua bagagem de porão se perder. Dica: divida estes equipamentos entre malas separadas se puder, por exemplo, dar alguns a um parceiro ou amigo com quem esteja a viajar, para o caso de alguma se perder.
  • Lanches extra em caso de atrasos.

 

  1. No Aeroporto

    O aumento da segurança nos aeroportos significa que é realmente importante que se planeie com antecedência se tiver diabetes, evitando que se depare com quaisquer problemas de última hora.

    Os atuais regulamentos de segurança estipulam que os artigos líquidos só são permitidos na sua bagagem de mão se estiverem em recipientes de 100ml ou menos. No entanto, existem algumas exceções, incluindo medicamentos essenciais para a sua viagem, que podem ser permitidos em maiores quantidades. No entanto, estes estarão sujeitos a autenticação.

    Os passageiros também estão autorizados a transportar equipamento médico essencial através da segurança do aeroporto na bagagem de mão, mas estes devem, sempre, ser suportados por documentação de um profissional médico devidamente qualificado. A carta do médico deve ser mostrada ao pessoal da companhia aérea, e se encontrar algum problema, deve pedir para falar com um gestor ou membro superior do pessoal.

    Se trata a sua diabetes com uma bomba ou com um monitor contínuo de glicose (CGM), certifique-se de contactar a sua companhia aérea antes de viajar, se possível algumas semanas antes de voar. Algumas companhias aéreas exigirão que as notifique sobre o seu equipamento médico antes do voo e que preencha a papelada adicional. Se não o fizer, poderá, em alguns casos, não ser autorizado a embarcar no avião com a sua bomba ou CGM. Para além disso, não deve passar estes equipamentos por scanners de corpo inteiro ou qualquer máquina de raios X. Isto porque as ondas de raios X podem fazer com que a sua bomba ou CGM deixe de funcionar corretamente. Contacte o fabricante dos seus aparelhos se tiver alguma dúvida sobre a passagem dos mesmos por máquinas de raios X e scanners de corpo inteiro.


Deverá, ainda, falar com a sua equipa médica antes de partir, uma vez que lhe podem dar mais conselhos sobre como viajar em segurança. E se precisar de retirar a sua bomba por qualquer razão, eles podem fornecer-lhe qualquer equipamento extra como canetas de insulina e ajudar a planear as suas doses ao longo da viagem.

5. Organize a sua medicação

O seu médico terá provavelmente que lhe escrever uma carta que lhe explique que tem diabetes, os medicamentos que utiliza e todo o equipamento necessário para tratar a diabetes. Isto deverá incluir insulina, dispositivos de administração de insulina, agulhas, medidores de glicemia, tiras de teste glicemia e corpos cetónicos, pastilhas de glucose. Seria útil se a carta explicasse a necessidade de transportar consigo todos os medicamentos e equipamento na sua bagagem de mão e evitar guardá-lo na sua bagagem no porão. Isto porque surgirão problemas se a bagagem desaparecer ou se a sua medicação for estragada. Também seria útil levar consigo uma receita médica recente. A tripulação da cabine pode pedir que os medicamentos sejam entregues para armazenamento durante o voo.

Leve o dobro da quantidade de material médico que normalmente utilizaria para a sua diabetes, para o caso de precisar de ficar em quarentena ou em isolamento no país que está a visitar.

Antes de viajar, informe-se sobre onde pode obter insulina, no seu destino, em caso de emergência. Poderá contactar o seu fabricante de insulina antes da viagem para ver se a sua insulina é fornecida no país para onde se desloca. Se precisar de uma receita médica durante as férias, e a sua medicação habitual não estiver disponível, pode ser-lhe dada uma alternativa que faça o mesmo.

As viagens que implicam fusos horários diferentes, podem levar à necessidade de ajustar a sua insulina. Todos os voos internacionais para leste ou oeste envolvem a travessia de fusos horários. Não há necessidade de ficar alarmado com isto. Muitas pessoas atravessam os fusos horários regularmente, sem qualquer problema grave. Ao viajar de leste para oeste, o dia é prolongado e alguns profissionais de saúde aconselhar-lhe-ão a tomar uma refeição extra e a ajustar a insulina. Ao viajar de oeste para leste, o dia é encurtado e a quantidade de insulina e de hidratos de carbono pode precisar de ser reduzida.

Em geral, se a mudança de fuso horário for inferior a 4 horas, não necessitará de fazer grandes alterações ao seu plano de medicação. Um dia mais curto pode significar que necessitará de reduzir a sua insulina de pré-voo. Mas são questões importantes para discutir, antecipadamente, com a sua equipa de cuidados da diabetes. Ao discutir isto, certifique-se de que tem os detalhes do seu voo à mão, incluindo a hora de partida, a duração do voo, bem como a hora e local de chegada.


  1. Refeições e comida

    Por norma, as companhias aéreas podem fornecer informações sobre os horários da maioria das refeições para que possa planear a sua insulina. O mais seguro é encomendar a refeição padrão, embora esta possa não lhe fornecer hidratos de carbono suficientes se estiver a tomar insulina ou certos comprimidos para a diabetes. A tripulação da cabina é normalmente capaz de fornecer fruta, bolachas ou pãezinhos.

    As pastilhas de glucose e as bebidas utilizadas no tratamento de hipoglicemias podem ser transportados a bordo juntamente com hidratos de carbono de ação prolongada, como bolachas. Em voos longos, pode ser necessário lanchar entre as refeições e na hora de dormir para evitar que os níveis de glucose no sangue desçam demasiado. Tente transportar, a bordo, alimentos com hidratos de carbono extra ricos em amido, tais como biscoitos, barras de cereais ou pãezinhos. Se utilizar insulina, controle os seus níveis da glicémia frequentemente e esteja preparado para fazer alterações na sua dosagem.

    Quaisquer que sejam as alergias ou intolerâncias alimentares que tenha, se estiver hospedado num hotel, pergunte, quando fizer a sua reserva, se o mesmo consegue responder a essas restrições alimentares. Se estiver a comer fora, mantenha-se fiel aos alimentos simples onde possa ver claramente o que está a receber, como batatas cozidas, saladas, carne, peixe ou arroz simples.

    7. Climas Quentes

    Nos países quentes, a maior ameaça à saúde é o sol, por isso, mantenha-se protegido. Use roupas que cubram e protejam a sua pele e certifique-se de que usa protetor solar de fator elevado. As pessoas esquecem-se frequentemente das costas, das suas mãos e pescoços, por isso, assegure-se de que os mantém cobertos e protegidos. Os óculos de sol devem também ter uma etiqueta UV400 para garantir que protegem os seus olhos.

    Cuide particularmente dos seus pés se tiver neuropatia (dormência nos seus pés), uma vez que pode não se aperceber de que a sua pele está a arder. Proteja-os do sol com meias ou protetor solar e assegure-se de usar sandálias na praia, para que não ardam na areia quente.

    Os banhos de sol na praia podem, também, contribuir para níveis da glicémia mais elevados que o normal, uma vez que não está muito ativo. A sua insulina será absorvida mais rapidamente com tempo quente, aumentando o risco de hipoglicemia. Terá de controlar os seus níveis mais frequentemente e estar pronto para ajustar a sua dieta ou dose de insulina.

    Tenha cuidado com os resultados de testes enganadores porque os extremos de temperatura podem afetar a precisão do seu medidor. Tenha também em mente que se os seus níveis forem mais elevados, isto pode ser devido às condições meteorológicas – o calor pode danificar a sua insulina e impedi-la de funcionar corretamente.

    Quando viajar com insulina, é melhor mantê-la fresca, armazenando-a no frigorífico do hotel (se houver um no seu quarto) ou num recipiente fresco (desde que não congele). Há uma variedade de sacos frescos e recipientes de armazenamento disponíveis. Se utilizar um saco frio que utilize blocos de plástico com gelo, certifique-se de que a insulina não entra em contacto com os recipientes de plástico congelados.

  2. Climas Frios

    Em tempo frio, a sua insulina é absorvida mais lentamente no início, mas pode depois ser absorvida subitamente quando se aquece mais tarde no dia. Isto pode levar a uma hipoglicemia. Se o seu corpo também consome mais energia mantendo-se quente, por exemplo tremendo, isto também pode levar a episódios de hipoglicemias.

    As hipoglicemias são mais perigosas em climas frios, uma vez que interferem com as tentativas do seu corpo de se manter quente e aumentam o risco de hipotermia.

    Se sofre de má circulação ou tem neuropatia, é particularmente importante prevenir as queimaduras do frio, porque a dormência nos seus pés pode significar que não sente o frio.

    Divirta-se muito e aproveite! Boa viagem!

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